E agora o ano começou de vez, acabaram as férias, e as crianças voltaram às aulas, ou começaram essa nova jornada. Aqui em casa estou vivendo as duas situações, cada qual com seus benefícios e seus obstáculos. Quem disse que crescer seria sempre fácil???
Manu, com 5 anos está ingressando no 1° ano do Ensino Fundamental. Estava super, mega, master ansiosa, cheia de dúvidas e questionamentos. No meu papel de mãe e amiga, sentei com ela e conversei sobre o que estava por vir. Enfatizei os pontos positivos na tentativa de amenizar essa ansiedade, mas coloquei os contras também, pois não queria que ela fosse pega de surpresa. Mudou o espaço, a sala de aula, a organização das atividades, menos diversão, massinha, parque, mas por outro lado, na sala cada um terá sua mesinha (igual no Carrossel, que ela adora), ela aprenderá a ler e escrever (ela almeja muito isso), aulas de música, tudo isso, por que ela está ficando mocinha. Sim, está crescendo, assustadoramente rápido demais... Ela foi pra escola adorando tudo isso... Mas na quarta feira ela me surpreendeu dizendo: "É mamãe, você tinha razão, o 1° ano é legal, ele só não é tão divertido quanto o Pré". Nem preciso dizer que partiu meu coração, não queria que ela estivesse lá sem se divertir... Poxa vida, se divertir faz parte, está embutido no pacote... Mas não, ela sentiu o tranco de ficar dois dias sem ir ao parque, sem brincar de massinha, sem brinquedos, ela sentiu e aí eu notei que crescer dói, pra mim e pra ela, mas faz parte. Duas vezes em uma semana ela me pediu pra não ir à escola, e isso NUNCA havia acontecido. Okay, continuo incentivando e sempre mostrando o lado bom das coisas. Esse ano ela está perdendo, e no próximo perderá mais, por que com o passar do tempo, vai deixando de ser criança, adquirindo cada vez mais responsabilidades. Ela perde, mas também ganha. Por isso sempre enfatizo a importância de aproveitar o que tem hoje, até por que eu SEI que ela vai aprender a se divertir com o que tiver disponível. Sejam livros e cadernos ou, parques e massinhas.
Por outro lado, num lugar nem tão distante assim, tem a Rafa, minha pequenina, que após 2 anos e meio com a mamãe, neste ano inicia sua vida escolar. Como não poderia ser diferente, ela estava doida pra ir, principalmente por conta do "baballet", como ela diz, e por fazer companhia à irmã. No primeiro dia, a levamos com mochilinha e lancheira, as primeiras da vida dela, uniforme igual da irmã mais velha, toda arrumadinha, cheirosinha (não por ser o primeiro dia, modéstia a parte, arrumadinhas e cheirosinhas e elas sempre vão). Chegando lá, os olhinhos brilharam ao ver tantas crianças correndo e brincando... Me deu um abraço apertado, um beijo cheio de amor, um sorrisinho maroto e deu tchau. Sempre achei que sofreria nesse momento, mas não, saí de lá com o coração transbordando de orgulho e alegria. Estranhas foram essas primeiras horas de casa vazia, parace tão maior do que é, e o tempo demorou a passar, por volta das 9h eu já queria buscá-las. Rsrsrs.
Cheguei na escola e fui recebida, não apenas por um sorriso lindo, mas dessa vez por dois. Meus dois tesouros comigo novamente, uma sensação deliciosa, muitas talvez não entendam, mas eu curto muito estar com as meninas. Cansadas, almoçaram, banho e cama. Dormiram A TARDE TOOOOOODA.
No dia seguinte tudo de novo, mas ao chegar na escola, minha pequenina entrou em desespero por que não queria ficar. Como professora sei que isso é muuuuuuuuuito comum, mas como mãe, eu não esperava. Conversei, conversei, conversei e, nada, irredutível ela estava e assim permaneceu. Vi que a única saída seria ir embora e deixá-la chorando mesmo, até por que, quanto mais eu ficasse, mais sofrido seria, tanto pra ela quanto pra mim. Tive que soltá-la do meu pescoço a força e deixá-la lá, com a professora, enquanto ela me chamava aos prantos, acreditando que eu a pegaria de volta. Subi aquela rampa correndo, sem olhar pra trás, entrei no carro e nem preciso dizer, desabei. Fiquei triste, mas sei que essa ruptura é muito importante pra ela, e sei também que a escola é um lugar que, em alguns dias, ela vai adorar.
No dia seguinte a cena se repetiu, mas no outro dia já não. Não queria entrar, mas conversei, rapidamente, com ela, que ficou numa boa, sem chorar, o que me deixou tranquila, com o coração calmo e sereno.
Veremos segunda, pós final de semana, como ela irá reagir, mas confesso que estou me preparando pra tudo.
Muita gente pode ler essa postagem e pensar:"Nossa, que exagero!!!". Mas quem é pai e mãe sabe bem do que estou falando. A dor de um filho é a nossa dor, independente de qual seja o motivo, pode ser a primeira vacina, ou alguma dor emocional. São várias barreiras vencidas e superadas ao longo da vida, umas são mais sofridas que outras, uns sentem mais que outros, o importante é estarmos lá, nos fazendo presentes, dando aquela força, aquele beijo carinhoso, aquele abraço que transmite confiança, ou simplesmente estarmos lá.
Que venham novos desafios para que, juntos, possamos evoluir. Isso é viver!!!!
Crescer... Quem disse que seria fácil???
Beijinhos,
Tania