sábado, 5 de dezembro de 2015

O filho do meio...

Eu sempre ouvi muitas coisas sobre o filho do meio, mas nunca liguei muito, afinal, eu "sabia" que só teria duas filhas... Rsrsrs
O que mais dizem é que o filho do meio é o esquecido, o "largadinho". Eu nunca parei pra pensar sobre isso, mas achava muito complicado imaginar uma mãe agindo assim.
Hoje, eu consigo compreender esse rótulo, e vou tentar explicar o que se passa por aqui.
Amo minhas filhas de forma absolutamente igual, igual mesmo, de verdade. Mas quem tem a sorte de conhecer e conviver com as minhas meninas sabe que a minha do meio (Rafaella), é um achado. É o amor em forma de criança. Extremamente carinhosa, altruísta, divide até o sangue do corpo se preciso for, sempre foi o meu bebê, e essa posição sempre a fez muito feliz.
Quando engravidei da Dani, Rafinha tinha 3 anos e não entendeu muito bem o que estava acontecendo. Do meio pro final da gravidez, já foram surgindo os sintomas de ciúmes e nunca deixei de dar a atenção extra que ela precisava naquele momento.
A Dani nasceu...
Tudo, absolutamente tudo foi modificado na nossa rotina. Demorei pra perceber que ela estava sofrendo, a até hoje me culpo por isso (e falar desse assunto ainda me faz chorar).
Ela perdeu aquele lugarzinho que era dela, mas meu amor nunca foi afetado, de forma alguma.
Ela passou a se recusar a sair em fotos, meio que ignorava a presença da bebê e me solicitava boa parte do tempo, quando não, me evitava.
Saímos de férias e aí minha ficha caiu. Ela ficou quatro dias sem comer NADA. Passou mal, chorava muito, ficou manhosa. Passou uma madrugada inteira vomitando e nesta noite fui dar uma olhada nas fotos tiradas naquele dia e vi uma em que estávamos nós cinco, sendo a bebê no meu colo, meu marido ao meu lado e minha mais velha ao lado da bebê, enquanto a Rafa estava atrás de todos nós. Aquilo me doeu na alma e no coração. Até hoje dói. Mas nesse momento eu percebi o erro que estava cometendo.
Recorri às amigas, por que me senti tão displicente, dividi a minha dor, a minha angústia, chorei, chorei muito, muito mesmo, mas era a hora de mudar.
Conversei com ela, com as professoras e pedi ajuda a quem pudesse me ajudar.
Eu entendi que o filho do meio não tem um lugar estabelecido na família. O mais velho fica incumbido de ajudar, a mais nova depende 100% de você e a do meio não é grande o suficiente pra te ajudar e nem pequenina o suficiente pra passar o dia pendurada em você.
Mudei tudo. Eu estava fazendo errado e ela estava sofrendo.
Hoje, a Manu continua me ajudando, mas a Rafa também o faz, principalmente com a bebê. Coisas que eu faria em 10 minutos talvez eu demore 30, mas assim elas se sentem úteis, elas passam a ter lugar mais do que marcado em casa, cada qual com suas "limitações". Tem momentos em que fico só com a Manu, lendo livros, batendo papo, brincando na cozinha, outras vezes sou só da Rafa, assistindo desenhos, brincando de massinha, de casinha, colocando pra dormir, ou qualquer outra coisa.
O sofrimento foi amenizado. Em alguns momentos ainda não consigo me dividir em 3, porque todas me precisam naquela hora, então surgem os conflitos. Mas faz parte, estava incluído no pacote. 
Eu ainda me culpo pelo que passou e me policio frequentemente pra não cometer o mesmo erro. É difícil compartilhar esse tipo de coisa, porque estou admitindo erros e falhas, e mãe detesta falhar, estou me expondo a julgamentos, ok, quem quiser, que o faça, mas estou leve, estou feliz.
E ainda assim, diante das dificuldades, eu só consigo agradecer. Agradecer a Deus pelos anjos que me enviou, e por toda a ajuda que eu recebo de todos os lados. As pessoas que me cercam são muito carinhosas com as minhas filhas (por que quem não é, nem fica... Rsrsrs), e me dão sempre aquela forcinha extra.
Se eu não tivesse gritado por socorro, muito provavelmente nem saberiam o que se passava comigo.
E a gente segue assim, sorrindo, chorando, se descabelando e sobretudo sobrevivendo.


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