segunda-feira, 28 de julho de 2014

A emoção da descoberta da escrita

Bem, como a maioria já sabe, além de mãe 24h por dia, sou também professora de Educação Infantil, sem atuar temporariamente. Sendo assim, tive a oportunidade e a alegria de alfabetizar vários alunos, e também de fazer parte deste processo na vida de tantos outros. É imensamente gratificante ver essa florzinha desabrochar. A gente se dedica, se empenha, elabora mil e uma atividades, e quando acontece, temos a sensação de dever cumprido.

Como mãe as coisas mudam um pouco. Me acho bastante tranquila quanto à alfabetização, e na verdade acho que isso se dá pela experiência em sala de aula. Manu sempre foi uma criança dedicada, muito curiosa e questionadora, e eu, sempre aproveitei essas "deixas" pra estimulá-la. Muita gente diz que ela é assim por que tem mãe professora em casa, mas não é bem assim. Em casa eu sou mãe, não fico aplicando atividades nem coisas assim, o que eu faço, de verdade, é incentivar e, toda vez que ela  mostra interesse, sentamos juntas e eu esclareço, é um momento em que minha atenção é só dela.

Quando começou a reconhecer as letrinhas, me lembro bem que ela ficou fascinada, foi uma descoberta e tanto. Manu saia falando: "Olha a sua letrinha, mãe... A letrinha do papai, da vovó, do vovô...". A primeira palavra que ela descobriu e "decorou" foi o próprio nome, como sempre acontece, em seguida os nomes das pessoas da família. Eu digo decorou porque foi exatamente o que aconteceu, ela escrevia porque já tinha memorizado a ordem das letras. Ela sempre se sentiu encantada com o mundo das palavras. Foi ficando mais velha e as letras passaram, realmente, a ter ainda mais importância. Manu cada vez mais sentia a necessidade de "interpretar" os códigos (palavras) que estavam por toda parte. Ela não queria apenas saber o que estava escrito, ela queria ler, sozinha.

Isso foi se tornando angustiante pra ela, alguns dos amiguinhos da turma já conseguiam ler e ela ainda não estava tranquila e segura o suficiente pra que acontecesse. Conversei com a ex-professora dela, pela qual ela sente um carinho e um amor infinito, e também com a coordenadora da escola. Pedi que ambas conversassem com ela, e me ajudassem a tranquilizá-la, por que quando mãe diz é uma coisa, mas quando a mesma conversa vem de uma professora, parece que tem outro significado. E foi o que aconteceu.

Soube pela própria Manuella da conversa que ela teve com as duas. Eu senti que ela estava mais leve, mais confiante. Poucos dias depois, pelos corredores de um shopping, ela me chamou e disse: "Mamãe, acho que eu consegui ler uma palavrinha. Olha só, ali está escrito Vivo?", e olhou pra mim com um sorriso lindo e os olhinhos brilhando esperando minha resposta. Quando confirmei, ela me deu um abraço cheio de felicidade e satisfação. Senti que ela tinha tirado das próprias costas um peso enorme, ela estava se cobrando muito. E floresceu....

Ela continua se dedicando, treinando e se aprimorando. Está descobrindo que já que consegue ler, consegue também escrever, e tem tentando cada vez mais. Acho que nunca ganhou tantos livros de presente. A brincadeira preferida tem sido "Escolinha", na qual ela é sempre a professora, que me passa atividades e ditados. Isso também é treino, porque nos ditados, muitas vezes escrevo errado pra ver se ela percebe, outras vezes sou eu quem passo as palavrinhas, e tem dado muito certo assim.

Acompanhar o processo de alfabetização e ver a descoberta da escrita florescer é sempre muito lindo de se ver, mas eu confesso que com a minha filha a emoção foi indescritível e até hoje me emociona ver o quanto ela cresceu, e o quanto é importante pra ela cada etapa vencida, entre tantas e tantas que ainda estão por vir. Fico feliz em vê-la enfrentando as dificuldades, sem desistir, perseverando até conseguir. Me sinto realizada e muito, muito orgulhosa!!!

O que eu acho muito importante ressaltar é que, cabe a nós pais termos a tranquilidade e paciência necessárias pra que tudo aconteça com a maior naturalidade possível. Pressionar ou rotular o próprio filho como "burro" ou atrasadinho, além de não ajudar, com certeza atrapalha, e muito. Sem contar o quanto é desrespeitoso!!!! Cada um tem seu tempo, e eu, sinceramente, acho muito mais válido e produtivo dedicar uns minutinhos ao seu filho, ler uma história, esclarecer dúvidas e questionamentos, ao invés de ofendê-lo e fazer cobranças descabidas.

As parceiras que me ajudaram nesse processo foram fundamentais pra que tudo acontecesse ao seu tempo. Sou muito grata, muito mesmo.

E assim seguimos, a espera de novos desafios, afinal esses nunca cessam. O objetivo dela agora, é treinar muito a leitura pra conseguir ler a Saga Crepúsculo, que ela adoooooooora!!!!!

Beijinhos,
Tania


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