sábado, 26 de julho de 2014

Soltando a língua...

Quando nos referimos ao desenvolvimento infantil, sabemos que cada criança tem seu tempo pra tudo. Uns andam antes de 1 ano, outros só conseguem por volta de 1 ano e meio, uns começam a balbuciar e falar muito cedo, outros nem tem tanta pressa assim, e por aí vai....

A Manu, minha mais velha, demorou um pouco para andar, tinha receio, não se sentia muito segura, mas depois que descobriu como era interessante ser "livre", pegou gosto pela ideia e não parou mais. Já pra falar, começou cedo, e até hoje, tem a língua solta, fala o dia todo. rsrsrsrs

Só que, mesmo que o tratamento e as regras sejam as mesmas, um filho é sempre diferente do outro, por isso, não criei nenhuma expectativa quanto à Rafinha.

Quando a Manu tinha 8 meses, eu precisei voltar a trabalhar, por isso, desde então ela frequenta escola, divide experiências com outras crianças, e se socializa desde cedo. Não tenho a menor dúvida de que esse fator é um facilitador no desenvolvimento da criança. Na escola, por mais que as educadoras sejam carinhosas e atenciosas (e as da Manu eram, e muito), a criança aprende desde cedo a esperar um pouco, a não ser tão imediatista, afinal de contas, tem outras tantas crianças no mesmo ambiente, cada uma com uma necessidade a ser suprida. Eu acho isso fantástico. São crianças com a tendência de serem mais independentes.

Já no caso da Rafinha, assim que eu engravidei, optei por ficar um tempo em casa, curtindo a Manu, me dedicando à maternidade. Rafinha nasceu e toda a manhã ficávamos só nós duas, enquanto a Manu estava na escola. Foi incrível!!! Pude aproveitar, curtir e presenciar descobertas que com a Manu não havia sido possível.

Eu sempre tive em mente que os filhos devem ser criados e, principalmente, educados para o mundo. Essa é uma linha que eu procuro seguir diariamente, por que não é fácil. É um sentimento meio contraditório, por que é delicioso você ver e sentir que seu pequeno depende e precisa de você, mas por experiência própria eu garanto que vê-los "caminhando com as próprias pernas" é maravilhoso e emocionante.

Mesmo sabendo disso tudo, eu dei uma "escorregada" com a Rafa, e permiti que ela fosse meio preguiçosinha com relação à fala. Eu digo que permiti, porque acabei me acomodando, e com a correria do dia a dia, eu atendia às solicitações dela sem que ela me solicitasse de fato, se é que vocês me entendem.

Ela sempre foi muito independente, sempre se virou sozinha, andou com 10 meses, colocava objetos no chão pra poder alcançar coisas na estante, então eu sabia que o desenvolvimento estava acontecendo. Mas ela, definitivamente, não falava e essa não parecia ser uma questão que a incomodasse. Eu conversava com a pediatra, mas não estava preocupada, de verdade, porque eu sabia que ia rolar, quando ela sentisse a necessidade. Mas independente disso, quem conhece a Rafa sabe que ela NUNCA deixou de se comunicar, sempre se fez entender.

Começou a rolar uma pressão chata por parte das pessoas, por acharem que já estava mais do que na hora de ela falar e tal, que a culpa era minha, chegaram até a me questionar se ela era autista, enfim, foi me cansando... Cheguei a procurar fonoaudiólogos, mas nenhum atendia crianças com menos de 4 anos. Até o desfraldamento dela aconteceu sem que ela falasse, toda vez que queria ir ao banheiro era xixi. rsrsrs

Quando ela completou 2 anos e meio, tudo que ela falava era "mãe, pai, Maú, não e xixi". Chegou o momento de ir para a escola. Era a hora de soltar a língua, porque não teria mais a mamãe ali, a todo tempo. Haveria então a real necessidade de se comunicar com pessoas que sequer conhecia.

A mudança foi incrível!!! Em poucos dias, ela já voltava pra casa tentando contar algumas coisas, falar dos amiguinhos, formando frases, era lindo de ver a alegria dela. Quatro meses depois de iniciar a vida escolar, eu posso afirmar que ela fala TUDO, absolutamente TUDO. Algumas palavras mais complicadas ela se enrola um pouco, mas hoje, todo mundo a entende. Hoje ela canta, conta histórias, questiona, tudo de acordo com a faixa etária dela. E pelo que vi e senti, ela não é a primeira criança que entra na escola falando quase nada, e tenho certeza de que não será a última.

O que eu acho MUITO importante deixar bem claro, principalmente aos que não me conhecem, é que eu não sou uma mãe relapsa ou excessivamente desencanada. Eu estava muito tranquila, porque sempre tive o respaldo da pediatra das meninas. Tudo o que eu tenho de dúvidas, converso com ela. Questões das mais variadas, tratando da saúde física, emocional e social das minhas filhas. A questão dentro do consultório não se resume a peso, estatura, alimentação e probleminhas de saúde. A pediatra delas é minha grande parceira nessa jornada. Sempre conversamos sobre o que é possível fazer e, juntas, entramos num acordo. E foi o que aconteceu com relação à comunicação verbal da Rafa. Ela sempre me tranquilizou, por isso o caminho foi percorrido dessa forma.

Enfim, acho que cabe a nós, pais, termos um pouco mais de calma e de confiança de que, cedo ou tarde, as coisas vão acontecer, mas em caso de dúvidas, trocar experiências com outros pais é super válido, e conversar com o pediatra nunca é demais.

Beijinhos,
Tania

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