Na minha humilde opinião, a infância é uma fase mágica na vida de qualquer um, em função disso, eu faço tudo o que está ao meu alcance pra tornar essa fase inesquecível pras minhas meninas. Sendo assim, por aqui o Papai Noel vem todo ano buscar a cartinha e deixar o presente embaixo da árvore, o Coelhinho da Páscoa também, gasta um tempo absurdo escondendo os ovos, deixando pistas pela casa, e ainda se dá ao luxo de petiscar umas cenouras, e por aí vai... Só faltava mesmo a visita da Fada do Dente.
Manu estava numa ansiedade danada pra que o primeiro dentinho caísse logo. A maioria das amiguinhas já desfilavam com suas "janelinhas" e ela nada. Todo santo dia me perguntava se o dentinho estava mole, mas as notícias sempre eram desanimadoras. Certo dia começou a se queixar de dor na gengiva, e isso se prolongou por umas duas semanas. Entrei em contato com a dentista dela, que me sugeriu que a levasse ao consultório para verificarmos se realmente tinha algo com o dentinho, ou se era apenas excesso de ansiedade.
O dente não amoleceu, mas enquanto comia um espetinho de carne, do nada, ela deu um grito alto, começou a chorar e quando olhei pra ela, que estava na minha frente, vi a boca sangrando. Minha ficha caiu na hora. O engraçado é que eu fiquei tão feliz, tão emocionada, e ela ali, diante de mim, chorando, sem entender nada. Tentei tranquilizá-la, mas ainda chorou por uns minutinhos, e expliquei o que havia acontecido. Achamos o dente no chão e, passado o susto, veio a alegria. Os olhinhos dela brilhavam, ela ficava falando forçando o lábio inferior para que a "janelinha" ficasse visível, e eu ali, toda boba, achando isso tudo muito lindo.
Chegamos em casa e a primeira coisa que ela quis fazer foi a cartinha para a Fada do Dente. Uma hora da manhã e ela escrevendo a carta, fez desenho, e mal se aguentava de tanta ansiedade. Dobramos a cartinha e colocamos debaixo do travesseiro, junto com o dentinho.
Logo pela manhã, ela acordou e a primeira coisa que fez foi conferir se a Fada realmente havia passado. Não deu outra... Pulou, gritou e com uma alegria que não cabia em si, olhou pra mim e disse: "Nossa, mamãe, ela veio mesmo... Eu tô tão feliz que você nem imagina...".
Sim filha, eu imagino. Se eu estou fazendo certo, sinceramente não sei. Alguns pais optam por contar logo que nada disso existe, ou simplesmente não apresentam essas histórias a seus filhos, eu entendo e respeito isso, de verdade. Mas aqui em casa é diferente. Eu adoooooooro preparar as pistas e esconder os ovos, ajudá-la a elaborar as cartinhas e criar histórias para explicar as dúvidas que vão surgindo com o passar dos anos (Por que quanto mais velhos, mais questionam como tudo acontece), e sinto que isso é importante pra elas também. Se é importante e especial pra elas, pra mim não tem como ser diferente.
Em determinado momento tudo vai ficar mais claro pras duas, eu sei disso, mas enquanto houver magia e inocência, terá aqui uma mãe incentivando e tornando essa fantasia realidade, mesmo que eu tenha que me desdobrar cada vez mais.
Beijinhos,
Tania
Beijinhos,
Tania
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